17 de abril de 2020

O Papel

de Flavia Venturoli Miranda
quarentena covid19/2020


Papel são fibras de origem vegetal (celulose) que são maceradas e refinadas, até tornar as fibrilas separadas; que após, são misturadas com água, ficando em suspensão, até serem coletadas em peneira, formando por sedimentação uma fina camada de fibras vegetais entrelaçadas entre si.

O papel surgiu na China a cerca de dois mil anos. Em 105 d.C., Ts’ai Lun, oficial da corte imperial chinesa em Lei-Yang, documentou o modo de produzir papel através de trapos de tecidos e assim passou a ser considerado o inventor do papel. Contudo pesquisas arqueológicas descobriram fragmentos de papéis com datação mais antiga, entre 140-87 AC, feitos de cânhamo e rami. Acredita-se portanto, que Ts’ai Lun inovou ao reaproveitar fibras têxteis e documentou a descoberta.

Papel sempre foi o suporte para as minhas artes. Desenho, aquarela, xilogravura, até mesmo origami. Por isso em 1992 fiz o curso de Papel Artesanal no Liceu de Artes e Ofícios com Stella Rodas. Foram 8 meses, 3 horas por semana. Fiquei um ano trabalhando como assistente no curso. Em 1995, dei as aulas de Papel Artesanal no Liceu de Artes e Ofícios.

Aconteceu que no meio do curso em 1992, minha irmã ia se casar e pediu para eu fazer seus convites de casamento. Foi minha primeira encomenda, papel de costela-de-adão com línter de algodão.

Em 1996, eu e meu marido Walter Miranda, abrimos nossa escola, Ateliê Oficina FWM de Artes, onde ensinei a fazer papel por uns 10 anos. Atendi a muitas encomendas de convite de casamento. Fiz um livreto: Manual do Papel Artesanal todo ilustrado e com capa de papel artesanal. Fiz também algumas matérias para revistas e tv.

Estou revendo essa época, e assim terei algumas fotos, imagens e vídeos mostrar

23 de fevereiro de 2017

Desabrigados

Um alvoroço, um burburinho, uns ginchos dolorosos.
Assim cai mais árvore numa cidade carente de verde e fotossintese.


7 de novembro de 2015

Saudades de chuva.

Saudades de chuva.
Cheiro de chuva.
Barulho de gotas no telhado
Estrondo de raio.
Brilho de trovão.
Catar pedra de gelo e chupar.
Banho de chuva no quintal da Rua Avaí.
Do carro derrapar das estradas de terra/lama do sítio.
Da brincar na lama do meio-fio de frente da casa da tia Vilma. (Daquela 1° casa de Taubaté que, segundo consta, tinha os tijolos assentados com óleo de baleia).
De ficar sem luz na Rua Cel J Brandão e brincar de cineminha por ver as luzes dos faróis refletindo no vidro da janela com grade pantográfica fazendo sombras dançantes na parede longa da sala enorme da casa nova quase sem móveis.
Saudades de ver as sombras no meu braço dos pingos da chuva da janela do fusquinha e se sentir cheia de pintas como meu pai.
Saudades de enfiar o pé na lama e de sentir a textura da lama passando entre os dedos dos pés.
Saudade de fazer guerra de barro com mamona (dupla função: sujar e machucar).
Saudade do cabelo molhado e escorrido da água da chuva.
Saudade da irmãzinha pedir minha mão no meio da noite de tempestade.
Saudade de tirar lama das valetas do tênis e de raspar o excesso no ferro ao pé da porta. E de raspar com graveto o excesso da lama no pé descalço.
Saudade da casa de pau-a-pique com telha de barro que fazia goteira na fazenda do amigo do meu tio.
Saudade de passar a chuva para ir caçar rã (ou gambozino).
Saudade de brincar na chuva com meu irmão e minha irmã.
Meu pai instigando a farra e minha mãe trazendo toalha.
Saudade de água da chuva... seria saudade de vida?
Tantos sofrimento, doença, cansaço, morte, quase-morte, semi-morte, falsa morte, pseudo-vida, medo do medo, acidente, dor, envelhecimento, impotência.
Acho que estou saudade de brincar com neto, com sobrinha e de ver sobrinhos.
Tudo passa e a chuva já passou.

1 de abril de 2014

Oc

I'd like to be under de sea
In the octopus garden...
Octopus
grafite sobre papel Halnemühle
20 x 30 cm

16 de junho de 2013

Descolorirá

"Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá..."
Toquinho

 Estudo em Aquarela
1993